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Maria De Filippi, Gramsci e a desarmante idiotice da República

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Maria De Filippi, Gramsci e la disarmante idiozia di Repubblica
04 de dezembro de 2021 16:00
Maria De Filippi, Gramsci e a desarmante idiotice da República
Paolo Desogus


Nenhum grande esforço interpretativo é necessário para refutar essa solene idiotice. Mas talvez seja justamente sua banalidade que me deixa desarmado. O bonito é que o próprio Gramsci promoveu em seus Cadernos a ideia de que os produtos culturais devem contribuir para a construção de uma nova civilização por meio da síntese entre grandes tradições e demandas populares emergentes. Bem ao contrário do que Maria De Filippi e sua televisão revoltante fizeram. A ideia de Gramsci era elevar as classes populares ao sujeito da história, herdeiras do passado, mas capazes de saber se manter nos grandes conflitos do presente para construir um futuro de emancipação progressiva. Não era para barbarizá-los e empurrá-los para modelos culturais mesquinhos, individualistas e fingidos de provocação. Mas deixe-me dizer que a barbárie não se deve apenas ao lento atrito promovido pela TV Berlusconi. Os sujeitos pertencentes ao que foi definido como “esquerda intelectual rica” também contribuíram amplamente para essa regressão. Refiro-me aos que pertencem aos setores políticos e culturais que se autorregistraram a licença de progressistas e que, em grande parte, pertencem ao jornal La Repubblica. Esta parte da sociedade muitas vezes se apresenta como a parte mais avançada do país: como a mais moderna, civil, europeia, culta e respeitável. Trata-se, na verdade, de uma subjetividade política extremamente conformista e classista, que no plano político se incumbiu de mediar a adesão ao imaginário neoliberal das classes médias e médias baixas. A esta área pertence não pequena parte de nossa própria intelectualidade no que diz respeito à academia, jornais, editoras e centros de estudos. Nele, Gramsci também deve ser normalizado, purificado de elementos críticos, adaptado ao contexto e aos objetivos políticos dominantes. Afinal, o pensador sardo é grande demais para ser marginalizado, mas também perigoso demais para permitir que seu pensamento se espalhe livremente.

Paolo Desogus
Professor associado de literatura italiana contemporânea na Sorbonne Université, autor do Laboratorio Pasolini. Teoria do signo e cinema para Quodlibet.

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