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China: capitalismo de Estado ou socialismo de mercado?

A nova edição da Margem Esquerda, revista semestral da Boitempo, se dedica a desvendar o enigma chinês a partir de perspectivas diversas, com dossiê coordenado por João Quartim de Moraes e Fernando Garcia.

Publicado em 05/10/2021 // 2 comentários

Q-Confucius No. 2, (2001), de Zhang Huan, parte do ensaio visual da Margem Esquerda n. 37.


Acaba de chegar o novo número da Margem Esquerda – edição especial dedicada a desvendar o enigma chinês a partir de perspectivas diversas. Para debater as temáticas da revista, amanhã, quarta-feira, dia 6 de outubro, tem live de lançamento com Elias Jabbour, Maurilio Botelho e Bruna Della Torre (mediação) na TV Boitempo. Saiba mais sobre o evento e confira o sumário completo da edição ao final deste post!


Por Artur Renzo e Ivana Jinkings.

Capitalismo de Estado ou socialismo de mercado? Para além dessa dicotomia simplista, a ascensão da China como potência econômica global – num caso de clara ação do Partido e do Estado sobre várias esferas da sociedade – desafia a reflexão dos que buscam entender a complexidade daquele país sem cair na armadilha de simplesmente apontar o fracasso do socialismo com características chinesas diante do capitalismo.

O dossiê deste número, organizado por João Quartim de Moraes e Fernando Garcia, traz cinco textos que discutem concretamente alguns dos mais importantes aspectos da China atual. Sem pretender, nas palavras de Quartim, “uma quimérica e no mais das vezes hipócrita neutralidade ideológica, os autores mobilizam, com rigorosa objetividade, os dados e os fatos que sustentam suas interpretações”. As contribuições de Pautasso e Nogara e a de Vadell analisam sob ângulos diferentes, mas complementares, “as complexas relações sino-estadunidenses, pondo em evidência as tensões entre a interpenetração econômica e a competição estratégica e discutindo os desdobramentos mais prováveis desse enfrentamento, que fixará os rumos da história universal na primeira metade do século XXI”, afirma Quartim. Já Elias Jabbour procura caracterizar “a especificidade da formação social chinesa, tal como se reconfigurou a partir das reformas empreendidas por Deng Xiaoping no final dos anos 1970, enfatizando a síntese entre planificação e mercado, bem como os investimentos em novas tecnologias”. Melissa Cambuhy mostra como o planejamento estatal, “fator determinante do desenvolvimento chinês, foi também decisivo no enfrentamento da pandemia”. Quartim finaliza acrescentando que Ana Garcia e Fabiano Escher sintetizam o histórico do comércio entre Brasil e China, “expondo como o governo Bolsonaro refreou sua hostilidade ideológica para preservar interesses econômicos essenciais”.

Já Maurilio Lima Botelho e Marcos Barreira enxergam na euforia em torno da China contemporânea um eco do falatório sobre o “milagre japonês” e os Tigres asiáticos. Abrindo a seção de artigos, eles analisam a ascensão chinesa à luz da crítica do valor. O cientista político José Luís Fiori, especialista em relações internacionais e geopolítica, também oferece seu balanço sobre a vertiginosa ascensão chinesa, em longa conversa com Gilberto Bercovici e Luiz Felipe Osório sobre sua trajetória intelectual, os desafios da globalização e as teorias do sistema mundial moderno.

Ainda em sintonia com o tema da capa, Fan Xing resenha China contemporânea: seis interpretações, organizada por Ricardo Musse, e nosso editor de poesia Flávio Aguiar recupera a inusitada trajetória política e poética de Hsi Tseng Tsiang, de quem traduz versos dedicados aos estudantes e trabalhadores martirizados no Massacre de Xangai, em 1925.

O ensaio visual que atravessa as páginas desta edição é do artista plástico chinês Zhang Huan, cuja obra alcançou fama internacional e está presente em diversos museus e espaços públicos do mundo. Seu foco, segundo Francisco Klinger Carvalho, nosso editor de arte, “é o corpo humano, que muitas vezes se torna uma metáfora para desenvolvimentos políticos e sociais, com ações que colocam à prova a sua resistência física e psicológica”. Os trabalhos atuais do artista no campo da pintura e escultura “mostram por vezes referências estéticas à história e religião da China”, completa Klinger.

América Latina e Brasil não poderiam ficar de fora. Muitos acadêmicostêm buscado interpretar as reviravoltas no continente a partir de diferentes referenciais. Fabio Luis Barbosa dos Santos parte da constatação de que foi justamente nos países em que o progressismo é mais débil como alternativa eleitoral (Paraguai, Colômbia, Peru e Chile) que eclodiram as rebeliões mais combativas em meio à pandemia para interpretar o sentido dessas mobilizações e jogar luz sobre os impasses da mudança social no continente. Um par de artigos examina diferentes aspectos do atual governo brasileiro. Luiz Bernardo Pericás analisa a gestão Bolsonaro em face da experiência histórica do fascismo, enquanto Juliana Paula Magalhães fornece um panorama de conjunto, pela ferramenta da análise marxista do Estado e do direito, dos descalabros dos últimos três anos.

A edição traz três textos internacionais. Em ensaio de fôlego, Wolfgang Streeck descobre nos escritos de Engels sobre guerra, tecnologia e o crescimento do Estado a invenção de uma vertente independente da teoria socialmaterialista. O ecossocialismo de Karl Marx, de Kohei Saito, é ponto de partida para Slavoj Žižek investigar a relação do marxismo com a natureza. Jorge Fornet descreve criticamente os acontecimentos de 11 de julho em Cuba, sem cair no negacionismo reacionário das conquistas da Revolução.

Pelos textos de Lidiane Soares Rodrigues e Tatiana Merlino nos despedimos da verve filosófica contrariante de José Arthur Giannotti e da generosidade militante de Alípio Freire. Presentes, sempre.

Por último, uma nova seção, “Transparência”. Apresentaremos publicamente pareceres de originais enviados para avaliação cega na revista, revelando nossos critérios editoriais. Na estreia mostramos os motivos pelos quais recusamos um texto denominado “Manifesto Comunista”, por critérios de ética editorial. A seção ficará a cargo de Gilberto Maringoni até a emissão de um parecer final pelo Comitê Editorial.https://www.youtube.com/embed/crMNsidTRSw?version=3&rel=1&showsearch=0&showinfo=1&iv_load_policy=1&fs=1&hl=pt-br&autohide=2&wmode=transparent

MARGEM ESQUERDA DEBATE

China contemporânea: horizonte socialista ou fim de linha capitalista?

Com Elias JabbourMaurilio Botelho e Bruna Della Torre (mediação).

Capitalismo global, crise e socialismo no século XXI. Neste debate de lançamento da Margem Esquerda 37, colocamos em confronto duas interpretações sobre o fenômeno chinês. Visando qualificar uma discussão muitas vezes apresentada de maneira caricata, convidamos dois dos autores que contribuíram para esta edição da revista da Boitempo: Elias Jabbour e Maurilio Lima Botelho. O debate integra a programação da Feira Tentáculo de publicações independentes e conta com a participação de Elias Jabbour e Maurilio Botelho. Mediação de Bruna Della Torre.

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