Categorias
Sem categoria

O Ocidente deve aceitar uma Ordem Mundial Multipolar | Megan Sherman – Dossier Sul

https://dossiersul.com.br/o-ocidente-deve-aceitar-uma-ordem-mundial-multipolar-megan-sherman/

O Ocidente deve aceitar uma Ordem Mundial Multipolar | Megan Sherman – Dossier Sul

Por Megan Sherman

Há muitos sinais óbvios da defensiva ocidental, protecionismo e isolacionismo contra o surgimento de uma ascendência multipolar dos BRICs, interpretada como uma ameaça à estratégia geopolítica unilateral da América hegemônica, tão brutalmente imposta à política da ordem mundial, para o compreensível desânimo dos diplomatas humanitários.

A expressão mais importante do ceticismo em relação aos BRICs consiste na engenharia cínica e calculada da hostilidade em relação à China pela CIA, que explora sentimentos racistas para alimentar um ódio irracional, a sinofobia, impedindo o Ocidente de tirar lições de uma superpotência – incompreendida – que, quando estudada sem agenda, tem melhorado muito a qualidade de vida de seus cidadãos, além de ajudar benevolentemente a aliviar a pobreza em âmbito internacional.

A progressividade da política da China é demonstrada pelo fato de que vêem a diplomacia internacional como um jogo de soma zero, uma negociação econômica onde os benefícios líquidos para um ator são compartilhados por outras partes. Ao contrário, os EUA abordam a diplomacia como um jogo de soma zero e luta ferozmente pelos direitos exclusivos dos espólios ao vencedor. O americano médio tem sido profundamente condicionado pela supremacia da doutrina neoliberal para exibir os traços e reflexos de um “maximizador racional de utilidade” que privilegia o ganho próprio antes de tudo. A China, onde este modelo altamente propagandístico de comportamento humano é rejeitado pela cultura dominante, promove o coletivismo, a cooperação diplomática e a ajuda mútua.

A diplomacia dos BRICs é radicalmente diferente das lógicas precedentes de estadistas que procuravam assegurar o domínio global intrusivo para os mercados e o comércio do Ocidente. É discutível que a faceta mais importante da diplomacia dos BRICs é a ética internacionalista da ONU, que consagra o desenvolvimento mútuo, multilateral e pacífico como seu objetivo central. A América ainda está presa em uma obsolescente busca pelo domínio global que torna difícil a coexistência pacífica. O dinheiro/petróleo é sua resposta e o Irã sua indagação. As “democracias” do Ocidente são governadas por dinastias bancárias que exercem influência sobre a política interna e sobre a realização de guerras globais. Por outro lado, os emergentes BRICs são governados por especialistas em administração de políticas públicas que alcançaram altos cargos através de habilidade, não herdando riqueza.

Mas, apesar de sua clara liderança moral sobre o Ocidente, os BRICs não são impermeáveis à corrupção. O Ocidente tem suas estratégias desonestas para subvertê-los politicamente. É preciso questionar se os duvidosos poderes psico-geográficos da Cambridge Analytica ajudaram Bolsonaro a ganhar poder no Brasil, onde está impondo uma luta existencial nas comunidades indígenas. Também é preciso perguntar se o controverso esquema de crédito social na China é um Cambridge Analytica beta.

No entanto, os BRICS são a esperança mais verdadeira do internacionalismo, que honra seus cidadãos com gestos democráticos ousados, afinal compensa não colocar a alma à venda.

***

Originalmente em Global Research

O Ocidente deve aceitar uma Ordem Mundial Multipolar | Megan Sherman 1

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s