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Bolsonaro é massacrado no Parlamento Europeu, que pede investigação do “perigo à humanidade”+

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Bolsonaro é massacrado no Parlamento Europeu, que pede investigação do “perigo à humanidade”
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Aceleração de mortes por Covid-19 no Brasil é debatida em audiência no Parlamento Europeu, em Bruxelas. © Reuters/FRANCOIS LENOIR/
Uma resolução aprovada em Bruxelas pede maior luta contra a “desinformação online, notícias falsas e pseudociência” – os “grandes motores da pandemia na América Latina“, além dos “exemplos concretos” como “curas” de charlatães, ataques políticos e campanhas de ódio contra comunidades e minorias”.
Deputados do Parlamento Europeu pedem que o presidente Jair Bolsonaro seja “investigado” e maioria absoluta recomendam que autoridades que fizeram campanhas de desinformação sejam processadas e levadas à Justiça. Uma resolução foi aprovada e, apesar de não gerar uma obrigação legal, o fato de ter sido elaborada por eurodeputados é sinal do isolamento político do Brasil e da imagem desgastada de Bolsonaro na Europa, diz Jamil Chade, no UOL.

O documento pede a ajuda dos europeus para o Brasil e para a região. É uma demonstração da recusa dos europeus em aceitar a estratégia de Bolsonaro. O Parlamento “lamenta que a pandemia tenha sido fortemente politizada, incluindo a retórica negacionista ou a minimização da gravidade da situação pelos Chefes de Estado e de Governo, e apela aos líderes políticos para agirem de forma responsável a fim de evitar novas escaladas“, diz o texto que ainda “considera preocupantes as campanhas de desinformação relacionadas com a pandemia e apela às autoridades para identificarem e perseguirem legalmente as entidades que perpetram tais ações“.

Ainda, a resolução pede maior luta contra a “desinformação online, notícias falsas e pseudociência” indicando que esses foram os “grandes motores da pandemia na América Latina“. O texto ainda aponta “exemplos concretos que vão desde as “curas” de charlatães e milagres da COVID-19 a ataques políticos e campanhas de ódio contra certas comunidades e minorias“.

A meta, ainda que sem citar Bolsonaro, era acusar diretamente a gestão da pandemia no Brasil. O texto oficial não cita nomes. Mas isso não impediu que, no debate, o presidente brasileiro fosse poupado.

“Alguns governos têm sido particularmente criticados por seguirem caminhos políticos perigosos no que diz respeito à pandemia da COVID-19, mostrando oposição a iniciativas sanitárias regionais e locais, incluindo ameaças de enviar o exército para refrear o encerramento e as restrições locais, e têm sido acusados de ignorar as diretivas fundamentais da OMS, as melhores práticas de gestão da pandemia e as diretrizes de saúde pública baseadas na ciência”.

Algumas falas destacadas por Jamil Chade:


Anna Cavazzini, deputada alemã do Partido Verde: “São quase 400 mil mortos no Brasil. É uma tragédia provocada por decisões políticas deliberadas. Para nenhum governo foi fácil. Mas tentar uma coisa, recusar é outra. Desde o começo da crise, Bolsonaro se recusou a tomar decisões e rejeitou medidas cientificamente comprovadas. Ele reduziu a importância da pandemia, se opôs à vacinação e tentou ações em tribunas contra lockdown. Precisamos lançar um apelo ao Brasil: tome medidas com base na ciência“, disse.

Isabel Santos, de Portugal: “O mais irracional negacionismo de Bolsonaro é de ele ter feito tudo para a população não ser vacinada. Não foi um erro. Mas irresponsabilidade deliberada. O tempo e o povo vão julgá-lo“.

Miguel Urban Crespo, da Espanha: “No lugar de declarar guerra ao vírus, ele declarou guerra à ciência, à medicina e à vida. As mortes seriam evitadas. Sua necropolítica e sua política da morte constitui um crime contra a humanidade que deve ser investigado. Hoje, Bolsonaro é um perigoso para o mundo todo e o povo brasileiro não merece“, disse.

Javi Lopez: Bolsonaro é “um risco para a vida dos brasileiros e para toda a humanidade. Estamos diante de um país que pode ser incubadora de novas cepas“.

Katalina Cseh, da Hungria, repetiu, diante do Parlamento, as frases de Bolsonaro, em que pediu para que a população deixe de chorar. “Nunca deveríamos chegar a esse ponto. O residente optou por ser parte do problema“.

Leila Chaibi, da França: “A política criminosa de Jair Bolsonaro não é inocente. A tragédia aumenta“.

Outras ainda o acusaram de ter “ajudado o vírus a matar”.

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