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Sitrep do Brasil – A dimensão social da pandemia no Brasil

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Sitrep do Brasil – A dimensão social da pandemia no Brasil

20 de abril de 2021

Por Cristian Junior para o Saker Blog.

Está feito. O Brasil atingiu 350 mil mortes por pandemia. Embora exista o fator biológico – o próprio vírus -, ele parece pequeno diante de sua natureza social. Esta doença não significa um “acidente natural”. É o resultado das relações materiais que o homem estabelece com o meio ambiente. Urbanização não planejada e destruição de ecossistemas, para dizer o mínimo do mínimo. É um aspecto interessante que, embora o vírus cause a morte, ele não o faz por si mesmo. Depende, para matar, de um fator social. Quer dizer, como os seres humanos reagiram socialmente diante do problema. Para matar, depende da falta de vacinas, de insumos, de vagas na UTI. Depende da falta de um governo que dê a devida atenção ao problema. Aqui está o primeiro passo para compreender a quantidade exorbitante de mortes que esta pandemia provocou.Hoje não é ilusão pensar em 500 mil mortes até o final do semestre. Algumas pessoas dizem que existem apenas alguns se você considerar os 12 milhões de pessoas que foram infectadas. É uma coisa do Brasil. Um país que não valoriza as ciências humanas e, por isso, as mortes são contabilizadas por números frios (que também são elementos sociais, não apenas naturais) e não por caminhos da História e da Sociologia.Aqui, todos sabem o que é necessário para derrotar a pandemia. E não é remédio, pois não existe cura ou tratamento. Basicamente, 1) uma ajuda de emergência para manter as pessoas em um 2) bloqueio severo (mas rápido, porque ninguém consegue ficar em casa para sempre) e então sim 3) vacinação em massa. E essa vacinação tem que ser exagerada rapidamente, para cortar a doença pela raiz. Com uma vacinação lenta como a que está sendo promovida (para questões sociais e governamentais também, porque o governo se nega a comprar vacinas desde agosto do ano passado – sic) – surgem novas cepas e a gente nunca sai desse ciclo vicioso! E nós, Brasil, entendemos isso, pois já fomos um exemplo mundial de vacinação a ser seguido. Temos competência e estratégias historicamente articuladas. Nós erradicamos o sarampo, já vacinamos mais de 5 milhões de pessoas em um único dia. Não é nada surreal, mas muito real.Ou seja, não há nada de novo debaixo do sol, como diria o famoso escritor português Eça de Queirós. Os trabalhadores continuam arriscando suas vidas indo para o trabalho sem as condições de proteção para o desempenho de suas funções. Continue se perguntando se seus trabalhos resistirão às novas restrições de tráfego. Os informais, que já ultrapassaram os 30 milhões (número escandaloso!), Perderam a esperança de se formalizarem e, contribuírem com o INSS para a previdência social, que um dia poderão se aposentar com dignidade e humanidade. Na verdade, embora aposentadoria já seja uma palavra fora do horizonte de expectativas. O que resta é trabalhar, até a morte (literalmente). Por outro lado, o que você mais vê hoje são placas de “venda” ou “aluguel” onde as especificações costumavam funcionar. Assim como as pequenas empresas, endividadas até o pescoço, também estão inseguras quanto ao futuro. Eles não sabem se podem pagar o empréstimo, a folha de pagamento, os fornecedores. Eles acham que precisam demitir funcionários, mesmo sem ter capital para pagar pelos reparos. Empréstimos para pagar empréstimos.A ajuda emergencial serviu, entre outras coisas, para mostrar o quão desigual é a nossa sociedade. R $ 600,00 foram suficientes para impulsionar a economia com o boom da alimentação e da construção. Gente como você e eu, que com aquele dinheirinho a mais no bolso ia ao armazém da esquina comprar comida ou terminar o telhado da garagem. Enquanto isso, 20 brasileiros entram para a lista de bilionários da Forbes, com crescimento recorde durante a pandemia. Os bancos não precisam de comentários. Esse dinheiro também serviu para aumentar a popularidade do Sr. Presidente. Tudo indica que o próximo, um quarto do valor, não fará nenhuma das duas coisas.Enquanto isso, o Sr. Presidente passeia sábado pelos estabelecimentos, fomentando aglomerações, sem máscara, e, além disso, ameaça comerciantes e autoridades locais que as restrições impostas por governadores e prefeitos farão com que fiquem “sem remuneração”. Ouvir isso de alguém, quando você já está no cheque especial, com todos os seus cartões de crédito ultrapassados e ainda não pagou a conta de energia, desanima. Agora, para ouvir isso de ninguém mais do que o Presidente da República, falando diretamente com você, uh… Estamos em depressão. Em ambos os sentidos.

Cristian Junior é pesquisador e professor de História do Brasil. Twitter e Telegrama: @cristianlifes.

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